Dharmama e Lactância selvagem

DHARMAMA

Dharmama  união das palavras  Dharma –   bela palavra antiga, o conceito em sânscrito refere-se à missão que o nosso espiritu veio cumprir neste plano ; no budismo o Dharma é a verdade – sendero mais elevado de manifestação .

Mama – mãe em espanhol (mamá) ,  no sentido da fusão poética Dharmama   têm a ver com o dar de mamar também , ou seja , tudo isso…

Dar dhar , se dar , incondicionalmente , naturalmente

mama mãe mami mamãe mamita mainha mãezinha

Grande Mãe

Me veio esse termo DHARMAMA para enviar uma mensajem sobre amamantação e criação num grupo de parto em casa  de parideiras e grávidas assistidas pela equipe Hanami – o florescer da vida   no qual participo .

Oi mamis , barrigudas, bebecitos , hanamigas

Já faz uns dias que a partir do tema de chupetas e amamantar quería deixar uma mensajem já que sou uma mamita que dou teta para dois bebês , é…isso mesmo   hehehe  o Iyari têm cuasi 15 semanas (3 meses e meio ) e o Alai têm 1 ano e 8 meses  ;Claro, também está o Kalú que têm doze anos e mamou 2 anos e meio com ele conheci primeiro o sagrado DHARMAMA..
. O Iyari mamamama livre demanda total, só  a teta sua boquita conhece.. ri , já comunica as  necessidades do pequeno e grande ser dele ,cresce bichinho,brilham os olinhos…
O Alai é fogo , vai e vêm , sobe, desce, grita  ri  , choraminga pega em tudo , tudo quer conhecer, dá beijo e abraço tão gostoso…faz manha aiaiai …come bem ,com ele já a livre demanda é minha também assim que quando é teta messmo a teta quentinha  refugio amoroso tá aí  mas muitas vezes  mudamos o foco e damos frutinha, pancito, colinho, brincadeira, conversa, telepatia.. amor multidimensional e também limites firmes e flexiveis ao mesmo tempo ..   e bom…imaginem dois bebês …aaiai uma viagem e tanto… até o pai deles dá teta para Alai asvezes hehehe é mesmo!! primeiro como brincadeira e logo como recurso emocional durante a noite, ou se estou  cansada ou claro…com Iyari que  fusionado ccom mami direto junto ao meu corpo vibra e respira com ambos dançamos e cantamos  no dia a dia ,  e isso queridas mamães é medicina simples e poderosa harmoniza, acalma,…puro contato sutil , transmuta qualquer manha e desconforto ,  isso é ancestral…movimento e som , isso que é medicina natural  si si si
Estou em altos processos de aprendizado ao respeito dessa questão , – sempre no momento presente de aonde tudo surge…
em verdade  posso dizer primeiro que cada dia sou mais convencida de que só é possível compartilhar, se apoiar, se inspirar,
Não pretendo dar conselhos por que sinto que cada experiência é única assim como cada mente , estória pessoal e coração

Também que é preciso de muita criatividade , liberdade e autonomia de pensamento para ser mãe nestes tempos de transformação planetaria aonde já não servem a maioria das crenças arraigadas  em relação a tudo; principalmente  aos primordios da experiência humana ,ou seja, gestar, parir, criar , ser…
Acho importante o resgate ancestral nos processos vitais, por exemplo neste assunto da Amamentação , também é claro a reciclagem historica e cultural como mulheres do terceiro milenio que somos  , ou seja  , novas formas –  livres, criativas e sustentáveis -de viver;   então é o tempo de voltar para casa  seja o ser interno, o lar , a terra . Nessa casa interna  e materna muitas vezes somos revolucionar@s  invisíveis , sem reconhecimento nem valorização externa, sem titulos, sem importantes atuações no mundo “publico” , que preencham o curriculum e a carteira   ..rsrsrs
Mas em verdade digo querid@s sinto que não há nada mais importante que criar , cultivar, estimular -nos e aos nossos pequenos mestres ; a experiência de realmente se entregar ao processo de criar pequeninos seres , principalmente durante os primeiros meses e anos de vida  é tão fundamental como a existência mesma , sem falar nas nossas crianças internas que através de gestar parir dharmama e criar se curam, se reencantam, amadurecem docemente … aproveitemos ao máximo a preciosa oportunidade de crescer junto aos que nasceram através de nós, desenvolvamos PAZCIENCIA  que além de ser a ciencia da paz é a pedra filosofal que transforma o ser e a conduta
As rachaduras , dores , irritações etc dos peitos eu já tive, isso pasa , e com um sincero trabalho interno só  nos fortalecemos e acalmamos o centro que começa silenciar e coisas incríveis que nunca imaginamos começam acontecer só ficando no lugar aonde estamos AQUI E AGORA , DENTRO

Traduzi o texto a seguir da Laura Gutman, terapeuta familiar e escritora que anda inspirando e ressoando nas familias de habla hispana que optam pela criança natural
ficou longa essa mensajem lactante rsrsrs mas aí dá pra ler por partes.. é que a inspiração materna quando os bebês dormem é exteensa

abraço no coração

Lactância selvagem

A maioria das mães que consultamos  por dificuldades na lactancia estamos preocupadas por saber como fazer as coisas corretamente ,  ao invés de buscar o silencio interior, as raízes profundas, os vestígios do feminino e  o apoio efetivo pelos indivíduos ou as comunidades que favoreçam o encontro com a  essência pessoal.

.A lactância  é a manifestação pura dos nossos aspectos mais terrenais e selvagens que respondem à memória filogenética da nossa espécie.

Para dar de mamar só é preciso passar a maior parte do tempo semi nuas ,sem largar à nossa cria ,submersas num tempo fora do tempo,sem intelecto nem elaboração de pensamentos , sem necessidade de se defender de nada nem de ninguém , só ficar mergulhadas num espaço imaginário e invisível para os outros.

Isso é dar de mamar. É deixar aflorar os nossos cantinhos esquecidos ou anulados, os nossos instintos animais que surgem sem imaginar que  aninhavam-se no nosso mundo interno. É se deixar levar  pela surpresa de nos ver lambendo aos nossos bebês, cheirando o frescor desse  sangue do nosso sangue , de suar entre um corpo e outro , de se converter em corpo e fluidos dançantes..

Dar de mamar é se despojar das mentiras que temos nos contado a vida toda sobre quem somos ou quem devíamos ser. É estar desarrumadas ,poderosas , famintas , como lobas , como leoas , como tigresas , como baleias , como gatas . Muito relacionadas com as mamíferas de outras espécies no  total apego para com a cria , descuidando o resto mas milimetricamente  atentas às necessidades do recém nascido .

Se deleitando com o milagre , tentando reconhecer que fomos nós quem  fizemos  isso possível , nos reencontrando com o que haja de sublime . É uma experiência mística se permitimos que assim seja.

Isto é tudo o que precisamos para poder dar de mamar a um filh@ . Nem métodos ,nem horários , nem conselhos , nem relógios , nem cursos . Mas sim apoio , contenção e confiança de outros (companheiro, rede de mulheres , sociedade , âmbito social) para ser se mesmas mais do que nunca . Só liberdade para ser o que queremos , fazer o que queremos, e se deixar levar pela lúcida loucura do ser selvagem . ,

.Isto só é possível compreendendo  que a psicologia feminina inclui uma profunda conexão com a mãe terra , que o ser uma com a natureza é intrínseco ao ser essencial da mulher , e que se este aspecto não  é  manifestado , a lactância   simplesmente não flui . Não somos tão diferentes  aos rios, aos vulcões , á floresta . Só  é preciso preserva –los  dos ataques .

As  mulheres que desejamos amamentar temos o desafio de não nos afastar desmedidamente dos nossos instintos selvagens . Lamentavelmente acostumamos razoar e ler livros de puericultura e desta manera perdemos o eixo  entre tantos conselhos supostamente “ profissionais ” .

.A insistência  social  e em alguns casos as sugestões médicas e psicológicas que insistem em que mães sejamos separadas dos bebês ,desativam  a animalidade  da lactância

Possivelmente a situação que mais depreda e devasta a confiança que as mães temos em nossos próprios recursos internos , é esta crença de que os bebês vão se mal criar se passam tempo “ demais ” em nossos braços . A separação física à qual  nos submetemos como fusão mãe bebê entorpece a fluidez da lactância  .  Os bebês ocidentais dormem nos moisés , ou nos carrinhos ou nos  berços demasiadas horas . Esta conduta simplesmente atrapalha a lactância . Por que dar de mamar é uma atividade corporal e energética constante . É como um rio que não pode parar de fluir . se é bloqueado , ele desvia o curso .

Contrariamente ás suposições , os bebês teriam que ser carregados pelas mães  a maior parte do tempo, inclusive e principalmente quando dormem. Já que alimentam –se  também de calor , colo , doçura , contato corporal , cheiro , ritmo cardíaco e suor. O leite  flui se o corpo está permanentemente disponível . A lactancia não é um tema a parte . Ou estamos mãe e bebê fusionados , entretecidos ou não estamos… Por isso,  dar de mamar iguala-se a ter o bebê no colo , todo o tempo que seja possível . Não há motivos para separar o bebê do nosso  corpo,    mãe e filhote só deveriam se afastar  para cumprir  necessidades básicas  .   A  lactância é corpo, é silencio , é conexão com o submundo invisível , é fusão emocional , é entrega..

.Dar de mamar é possível se deixamos de atender ás regras , aos horários , as indicações lógicas e claro , se estamos dispostas a nos  mergulhar neste tempo sem tempo , sem formas nem limites  Se conseguimos nos despojar de tantas cadeirinhas , carrinhos e mobília infantil , já que um pano amarrado ao nosso corpo é suficiente para ajudar aos braços e costas cansadas . Inclusive se trabalhamos ,  inclusive se há horas durante o dia em que não temos a opção de permanecer com os nossos bebês , temos a possibilidade de carrega-los no colo o tempo todo que estejamos em contato com eles.

É verdade que é preciso enlouquecer um pouco para  maternar . Essa loucura habilita-nos para entrar em contato com os aspectos mais genuínos , inabordáveis , despojados , selvagens , não apresentáveis  e sangrentos do nosso ser feminino. Assim são as coisas .. ..que acompanhe quem quizer e quem seja capaz  de não se amedrontar com a  potencia animal  que ruge  das nossas entranhas .


Laura Gutman (www.lauragutman.com)


Traduzido por Tai Nilo

Este texto pode ser utilizado desde que enlaçando a origem

https://amayum.wordpress.com/

Assim como a escritora e tradutora
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